quarta-feira, 14 de março de 2018

Deus escolhe os nossos sofrimentos


1 Pedro 4:1-19:

“Ora, pois, já que Cristo padeceu por nós na carne, armai-vos também vós com este mesmo pensamento, que aquele que padeceu na carne já cessou do pecado;

Para que, no tempo que vos resta na carne, não vivais mais segundo as concupiscências dos homens, mas segundo a vontade de Deus.

Porque é bastante que no tempo passado da vida fizéssemos a vontade dos gentios, andando em dissoluções, concupiscências, borrachices, glutonarias, bebedices e abomináveis idolatrias;

E acham estranho não correrdes com eles no mesmo desenfreamento de dissolução, blasfemando de vós.

Os quais hão de dar conta ao que está preparado para julgar os vivos e os mortos.

Porque por isto foi pregado o evangelho também aos mortos, para que, na verdade, fossem julgados segundo os homens na carne, mas vivessem segundo Deus em espírito;

E já está próximo o fim de todas as coisas; portanto sede sóbrios e vigiai em oração.

Mas, sobretudo, tende ardente amor uns para com os outros; porque o amor cobrirá a multidão de pecados.

Sendo hospitaleiros uns para com os outros, sem murmurações,

Cada um administre aos outros o dom como o recebeu, como bons despenseiros da multiforme graça de Deus.

Se alguém falar, fale segundo as palavras de Deus; se alguém administrar, administre segundo o poder que Deus dá; para que em tudo Deus seja glorificado por Jesus Cristo, a quem pertence a glória e poder para todo o sempre. Amém.

Amados, não estranheis a ardente prova que vem sobre vós para vos tentar, como se coisa estranha vos acontecesse;

Mas alegrai-vos no fato de serdes participantes das aflições de Cristo, para que também na revelação da sua glória vos regozijeis e alegreis.

Se pelo nome de Cristo sois vituperados, bem-aventurados sois, porque sobre vós repousa o Espírito da glória e de Deus; quanto a eles, é ele, sim, blasfemado, mas quanto a vós, é glorificado.

Que nenhum de vós padeça como homicida, ou ladrão, ou malfeitor, ou como o que se entremete em negócios alheios;

Mas, se padece como cristão, não se envergonhe, antes glorifique a Deus nesta parte.

Porque já é tempo que comece o julgamento pela casa de Deus; e, se primeiro começa por nós, qual será o fim daqueles que são desobedientes ao evangelho de Deus?

E, se o justo apenas se salva, onde aparecerá o ímpio e o pecador?

Portanto também os que padecem segundo a vontade de Deus encomendem-lhe as suas almas, como ao fiel Criador, fazendo o bem.”



Deus é soberano sobre tudo. “O Senhor tem estabelecido o seu trono nos céus, e o seu reino domina sobre tudo.” (Sl 103.19) Nada escapa de Sua soberania. Porque Deus é criador e sustentador de todas as coisas, conforme lemos: “No princípio criou Deus os céus e a terra.” (Gn 1.1) e “O qual, sendo o resplendor da sua glória, e a expressa imagem da sua pessoa, e sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, havendo feito por si mesmo a purificação dos nossos pecados, assentou-se à destra da majestade nas alturas;” (Hb 1.3).

Deus cria todas as coisas, e nós chamamos isso de criação, Deus sustenta todas as coisas e nós chamamos isso de Sua providência. Nós existimos porque Deus nos criou, nós continuamos existindo, porque Deus continua sustentando a nossa existência. Tudo depende de Deus para começar a existir e para continuar a existir.

Na nossa vida, igualmente, e com muito mais razão, vemos a providência divina em tudo. Não só nas bênçãos, mas também nas tribulações. Deus providencia tanto as bênçãos quanto as lutas: “Que diremos, pois, a estas coisas? Se Deus é por nós, quem será contra nós? Aquele que nem mesmo a seu próprio Filho poupou, antes o entregou por todos nós, como nos não dará também com ele todas as coisas? Quem intentará acusação contra os escolhidos de Deus? É Deus quem os justifica. Quem é que condena? Pois é Cristo quem morreu, ou antes quem ressuscitou dentre os mortos, o qual está à direita de Deus, e também intercede por nós. Quem nos separará do amor de Cristo? A tribulação, ou a angústia, ou a perseguição, ou a fome, ou a nudez, ou o perigo, ou a espada? Como está escrito: Por amor de ti somos entregues à morte todo o dia; Somos reputados como ovelhas para o matadouro. Mas em todas estas coisas somos mais do que vencedores, por aquele que nos amou. Porque estou certo de que, nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as potestades, nem o presente, nem o porvir, Nem a altura, nem a profundidade, nem alguma outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor.” (Romanos 8:31-39)

E essa providência de Deus nas nossas vidas sempre visa um fim proveitoso. “E sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito.” (Rm 8.28) Ela sempre visa o bem, e faz com que até o mal se torne em bem.

Portanto, as lutas e tribulações, e os sofrimentos que passamos visam a um fim proveitoso. “E não somente isto, mas também nos gloriamos nas tribulações; sabendo que a tribulação produz a paciência, e a paciência a experiência, e a experiência a esperança. E a esperança não traz confusão, porquanto o amor de Deus está derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado.” (Romanos 5:3-5) e “Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós um peso eterno de glória mui excelente;” (II Co 4.17)

A providência de Deus age de várias maneiras na nossa vida, seja limitando, permitindo ou enviando o sofrimento que devemos passar:

Limitando:

Não veio sobre vós tentação, senão humana; mas fiel é Deus, que não vos deixará tentar acima do que podeis, antes com a tentação dará também o escape, para que a possais suportar. (I Co 10.13)

Permitindo:

Dizendo-se sábios, tornaram-se loucos.

E mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível, e de aves, e de quadrúpedes, e de répteis.

Por isso também Deus os entregou às concupiscências de seus corações, à imundícia, para desonrarem seus corpos entre si;(Romanos 1:22-24)

Enviando:

O Senhor prova o justo; (Salmos 11:5)

Deus limita os nossos sofrimentos, porque Deus sabe o quanto podemos suportar. Deus mitiga o nosso sofrimento quando merecíamos sofrer mais, porque Ele é misericordioso. Deus não cede à fúria dos nossos adversários, “Se não fora o Senhor, que esteve ao nosso lado, ora diga Israel; Se não fora o Senhor, que esteve ao nosso lado, quando os homens se levantaram contra nós, Eles então nos teriam engolido vivos, quando a sua ira se acendeu contra nós. Então as águas teriam transbordado sobre nós, e a corrente teria passado sobre a nossa alma; Então as águas altivas teriam passado sobre a nossa alma; Bendito seja o Senhor, que não nos deu por presa aos seus dentes. A nossa alma escapou, como um pássaro do laço dos passarinheiros; o laço quebrou-se, e nós escapamos. O nosso socorro está no nome do Senhor, que fez o céu e a terra. (Salmos 124:1-8)

Assim, Deus não permite a máxima medida do sofrimento que nos destruiria, e limita o nosso sofrer a um grau que nos aproxime Dele mas não nos destrua.

Deus também permite o sofrimento porque (i) vivemos em um mundo mau, contaminado pelo pecado, e (ii) temos um adversário que, se pudesse, nos consumiria, e (iii) damos motivo para o sofrimento porque também pecamos. Deus, então, muitas vezes permite que sejamos tocados, atingidos pelo mal que nós mesmos causamos, seja enquanto (i) indivíduos, seja enquanto (ii) família, seja enquanto (iii) sociedade.

Veja o exemplo de Israel no Antigo Testamento: “Por isso a ira do Senhor se acendeu contra Israel, e os entregou na mão dos espoliadores que os despojaram; e os entregou na mão dos seus inimigos ao redor; e não puderam mais resistir diante dos seus inimigos.” (Jz 2.14)

E Deus envia sofrimento à nossa vida, porque Deus usa o sofrimento como forma de disciplina para nos ensinar, para nos aprimorar, para nos santificar (tornar como Cristo) e para trazer mais glória ao Seu nome.

Nesse último ponto, temos de notar algumas coisas no texto base deste sermão:

Podemos sofrer como pecadores: “Que nenhum de vós padeça como homicida, ou ladrão, ou malfeitor, ou como o que se entremete em negócios alheios;” v 15

Ou podemos sofrer como cristãos: “Mas, se padece como cristão, não se envergonhe, antes glorifique a Deus nesta parte.” v 16

Se sofremos como pecadores, temos de que nos envergonhar. Se sofremos como cristãos, não temos de que nos envergonhar.

“Amados, não estranheis a ardente prova que vem sobre vós para vos tentar, como se coisa estranha vos acontecesse; Mas alegrai-vos no fato de serdes participantes das aflições de Cristo, para que também na revelação da sua glória vos regozijeis e alegreis. Se pelo nome de Cristo sois vituperados, bem-aventurados sois, porque sobre vós repousa o Espírito da glória e de Deus; quanto a eles, é ele, sim, blasfemado, mas quanto a vós, é glorificado. Que nenhum de vós padeça como homicida, ou ladrão, ou malfeitor, ou como o que se entremete em negócios alheios; Mas, se padece como cristão, não se envergonhe, antes glorifique a Deus nesta parte. Porque já é tempo que comece o julgamento pela casa de Deus; e, se primeiro começa por nós, qual será o fim daqueles que são desobedientes ao evangelho de Deus? E, se o justo apenas se salva, onde aparecerá o ímpio e o pecador? Portanto também os que padecem segundo a vontade de Deus encomendem-lhe as suas almas, como ao fiel Criador, fazendo o bem.” (1 Pedro 4:12-19)

Agora note que o sangue de Jesus nos purifica de todo o pecado: “Mas, se andarmos na luz, como ele na luz está, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo o pecado.” (I Jo 1.7)

Se sofremos assim, ou seja, se sofremos como cristãos, não é para purificar o nosso pecado, o qual já foi purificado. Se sofremos assim, sofremos por amor a Cristo e:

Consagramos o nosso ser a Cristo no sofrimento.

Encomendamos a nossa alma a Cristo (“Portanto também os que padecem segundo a vontade de Deus encomendem-lhe as suas almas, como ao fiel Criador, fazendo o bem.” v. 19).

Mortificamos a carne e o pecado que ainda está presente em nós enquanto tendência para a rebelião. (“Ora, pois, já que Cristo padeceu por nós na carne, armai-vos também vós com este mesmo pensamento, que aquele que padeceu na carne já cessou do pecado;” v. 1).

Vencemos o mundo e Satanás que estavam aguardando a nossa queda.

Quem sofre por Cristo sofre como Cristo, participa dos sofrimentos de Cristo. (“Para conhecê-lo, e à virtude da sua ressurreição, e à comunicação de suas aflições, sendo feito conforme à sua morte;” Fp 3.10)

Ganhamos a Cristo. (“E, na verdade, tenho também por perda todas as coisas, pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; pelo qual sofri a perda de todas estas coisas, e as considero como escória, para que possa ganhar a Cristo,” Fp 3.8)

Se tão grande é o proveito que Deus produz em nós por meio da dor. Se a providência de Deus é determinante em cada aspecto da nossa vida, mesmo as aflições, o que aprendemos? Aprendemos que:

1. Não há dor desperdiçada.

Por sua graça, Deus torna em bem todo o mal feito contra os que o amam. Não há acidentes ou coincidências do ponto de vista da providência de Deus. No final da história, tudo faz sentido, tudo tem o seu lugar.

2. Deus escolhe os nossos sofrimentos.

A aflição presente é sempre um mistério para nós (“E, na verdade, toda a correção, ao presente, não parece ser de gozo, senão de tristeza, mas depois produz um fruto pacífico de justiça nos exercitados por ela.” Hb 12.11) Mas Deus nos dá a disciplina sob medida para o fim almejado, o fruto que o Senhor já vê, mas nós ainda não – o exemplo de Jesus (“Olhando para Jesus, autor e consumador da fé, o qual, pelo gozo que lhe estava proposto, suportou a cruz, desprezando a afronta, e assentou-se à destra do trono de Deus.” Hb 12.2)

3. Temos de tomar a cruz como algo que Ele deu(“E dizia a todos: Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome cada dia a sua cruz, e siga-me.” Lc 9.23). Suportar as aflições, mas não só isso, abraçar as aflições.

4. Podemos pedir que o Senhor nos livre da aflição (Sl 6), podemos lamentar o nosso estado presente diante do Senhor (Lm 3), mas não podemos deixar de glorificar a Deus sempre e em tudo (“Ainda que ele me mate, nele esperarei;” Jó 13.15a; “Porque eu sei que o meu Redentor vive, e que por fim se levantará sobre a terra.” 19.25ss; “Em tudo dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco.” I Ts 5.18).