sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

A volta de Jesus


Antes de seguir lendo este artigo, aconselho-te a ler São Marcos 13, São Mateus 24, ou São Lucas 21, caso ainda não tenha esses textos de memória. O que vou falar agora não é diferente do que está escrito neles. Estes 3 textos bíblicos são o farol para os demais textos das Escrituras que falam a respeito da vinda de Jesus. Nas palavras de Jesus registradas pelos apóstolos nós encontramos o mapa para interpretar as profecias a respeito do futuro.

Quero falar, antes de tudo, da vinda do Senhor. Me parece que na agenda das Escrituras, o próximo evento histórico crítico a acontecer não é o fim do mundo, nem as próximas eleições, nem o próximo papa, nem a próxima guerra. Não é o aparecimento do Anticristo, nem da besta, nem do falso profeta. Eu diria, mais ousadamente, que sequer o próximo e grande avivamento que esperamos (ou ao menos desejamos) antes da vinda de Jesus não é o grande próximo episódio crítico para a história da redenção. A vinda do Senhor Jesus, o seu retorno em glória é o evento crítico, esperado, desejado e ansiado pelo seu povo. É esse evento que mudará tudo, dramática, certa, irremediável, e indubitavelmente.

As outras coisas são importantes, mas não são críticas como a vinda do Senhor Jesus. Elas tem seu lugar na história enquanto preparações, e introduções, como que pavimentando o caminho que nosso Senhor pisará quando vier. No entanto, assim como num casamento há muitos convidados, mas a presença dos noivos é mais importante do que a presença de qualquer um deles, assim será na vinda do Senhor. É importante que o Anticristo se manifeste? Sim. É importante que o avivamento aconteça? Sim. É necessário que os falsos profetas se levantem, assim como os falsos cristos? Sim, absolutamente. E será importante o trabalho das testemunhas do reino em todo mundo, sejam as 144.000, sejam as duas testemunhas, seja o testemunho dos anjos? Sim, com certeza. Mas é a vinda do Noivo que a Noiva aguarda. Ela compreende a necessidade dos outros eventos, mas é este evento que muda tudo.

Há muitos eventos sobrenaturais que foram prometidos. Muitos acontecendo agora, outros que estão por vir. Mas O EVENTO sobrenatural que esperamos e que desejamos, não é outro senão Aquele que há de vir vindo, sobre nuvens, com clangor de trombeta.

Sobre a vinda de Jesus, devemos aguardar que seja, primeiro, visível, segundo, imprevisível, terceiro, gloriosa, quarto, certa.

Visível, porque “Eis que vem com as nuvens, e todo o olho o verá, até os mesmos que o traspassaram; e todas as tribos da terra se lamentarão sobre ele. Sim. Amém.” (Ap 1.7) e porque "verão vir o Filho do Homem nas nuvens” (Mc 13.26).

Todos verão. Alguns pensam que será por meio da TV ou da internet. Eu, sinceramente, creio que não. Talvez possa ser transmitido via TV, mas eu creio que será maior do que isso. Será um evento tão mais glorioso do que o sol, que brilhará em toda a Terra, até onde ainda for noite. De alguma forma, penso, todos olharão para os céus na direção de Jerusalém e verão a mesma gloriosa e terrível visão do Filho do Homem vindo nas nuvens.

“Até mesmo os que o traspassaram” talvez por causa da ressurreição dos mortos, mas eu creio que muito mais por causa dos perseguidores da igreja que estarão vivos quando isso acontecer. Como Jesus disse a Saulo “por que me persegues?” enquanto ele na verdade perseguia a igreja, creio que o Senhor será visto pelos que o perseguirem enquanto perseguem a igreja que estiver viva naquela época (que bem pode ser esta em que vivemos).

Será imprevisível, porque o Senhor já disse “daquele Dia e hora, ninguém sabe, nem os anjos que estão no céus” (Mc 13.32) e “não sabeis quando chegará o tempo” (v.33) e “vigia, pois, porque não sabeis quando virá o senhor da casa” (v. 35).

Por isso é penoso ouvir um teólogo que diz que o Senhor não pode voltar agora, porque tal e tal profecia ainda não se cumpriu, ou que o Senhor já voltou, e não temos que esperá-lo.

Alguns pensam que Jesus não pode voltar imediatamente porque o Anticristo tem de se manifestar antes. Mas eu diria que ele já pode ter se manifestado e nós não termos tido coragem de identificá-lo. Digo que o Anticristo, talvez, pode ser um sistema de coisas que já está se manifestando, não necessariamente um indivíduo (embora eu, particularmente creia que é, ou será, um indivíduo). A história está cheia de candidatos a Anticristo que muito bem caberiam nas profecias bíblicas (Nietzsche não é nenhum deles, só para constar). O primeiro que caberia como uma luva foi Nero, e depois dele tantos outros, e ainda hoje.

Outros dizem que Jesus não pode voltar agora porque a igreja ainda não cumpriu a sua tarefa, pois ainda há povos não alcançados, ou porque o mundo ainda não foi cristianizado. Mas eu diria que a igreja já tinha cumprido sua tarefa nos tempos de São Paulo. Pelo menos ele escreveu assim.

Jesus nunca condicionou a sua vinda a um determinado desempenho da sua igreja na evangelização do mundo. Pelo contrário, justamente porque o desempenho da igreja é irrelevante para determinar o tempo da vinda do Senhor é que ele nos mandou trabalhar enquanto esperamos, pois ele pode voltar agora e nos pegar despreocupados em cumprir a nossa tarefa.

Ele pode vir e nos achar preguiçosos e inúteis, vagando pelas veredas do mundo para “aproveitar a vida” enquanto a missão está inacabada. O servo não deve descansar enquanto seu Senhor está trabalhando, o discípulo não deve dormir enquanto o Mestre está acordado. O servo não é maior do que o Senhor, nem o discípulo maior do que o Mestre. Se o Pai trabalha nós devemos trabalhar, e não devemos nos tornar arrogantes, pensando que o Senhor está em uma fila esperando até que nós, por nossa boa vontade decidamos fazer o nosso trabalho e chamá-lo para vir nos buscar porque já preparamos a casa. Ele virá, estejamos preparados para recebê-lo ou não. Por isso, porque é imprevisível a data de sua vinda, é que devemos sempre trabalhar, e lutar com todo o afinco para que, quer Ele venha de manhã ou à meia-noite, não nos encontre preguiçosos.

Será gloriosa, porque desta vez será diferente de quando Ele veio humilde, em uma manjedoura, em extrema pobreza e miséria, sentado em um jumentinho emprestado, sem vestes reais, sem pompa, sem anúncios, sem poder militar ou político.

Desta vez, o Senhor virá “com grande poder e glória” (Mc 13.26). Anjos o cercando, som de trombetas, um exército de santos, de todas as gerações, mudanças cósmicas impressionantes. O Senhor virá derrotando exércitos, neutralizando todo poder bélico humano. Ele é a pedra pequena que quebrou os pés da estátua em Daniel e cresceu e encheu a terra toda. Ele é aquele que derrotará o Anticristo com um sopro da sua boca. Ele é aquele que derrotará a Gogue, rei de Magogue. O Senhor é o seu nome. Ele é Kyrios, Ele é o Rei dos reis e Senhor dos senhores – não é isso que está escrito na sua coxa?

Portanto, Ele virá, então, para julgar a terra. Nunca mais o Senhor será julgado por homem algum, como foi da última vez. Nunca mais o prenderão, nunca mais o esbofetearão, nunca mais o humilharão nem cuspirão, nem ameaçarão. Eles zombaram Dele, mas desta vez tremerão diante Dele.

Não haverá jornalistas blasfemando do Senhor, como vemos hoje. Nem falsas religiões dizendo coisas horríveis contra o Senhor. Nem falsos profetas, ou falsos mestres serão admitidos. Imagine o choque que será para a filosofia, a ciência, e todos os ramos do conhecimento, quando Aquele que desprezavam como uma lenda antiga e bizarra de gente ingênua e odiável estiver diante de seus olhos.

Os ateus que sempre pediram uma "prova incontestável e visível" do Senhor, desprezando todas asprovas já incontestáveis que Ele deixou, terão aquilo que desejam, mas será tarde demais. O Senhor virá, mas com espada, com cetro de ferro, inquebrável. Ele não será dobrado por ninguém. Satanás não O levará a monte algum, não lhe mostrará nada, nem ousará oferecer-lhe qualquer coisa, como afrontosamente fez da primeira vez que o Senhor veio. Todos estarão calados diante Dele. Só uma luz brilhará, só um nome será louvado: o do Senhor!

Participarão da Sua glória os que participaram da Sua humilhação. Serão honrados os que o honraram. Reinarão com Ele os que já o serviam como Rei. E os rebeldes serão julgados.

A vinda do Senhor é certa. Tão certa quanto a Sua ressurreição. Se alguém crê na ressurreição, deve crer na vinda do Senhor pelos mesmos motivos. Aquele que prometeu que ressuscitaria ressuscitou. Ele também prometeu retornar, como poderá não cumprir esta promessa? Se cremos que o Senhor está vivo, nada pode ser mais natural e lógico do que crer que o Senhor virá. Se vivemos pela Sua ressurreição, é necessário que ressuscitemos pela Sua vinda.

Nenhum anseio é mais profundo para quem ama o Mestre vivo, do que vê-lo, e encontrá-lo face a face. E isso ocorrerá quando o Senhor vier. Ouço muito dizerem que o que mais lhes marcou no livro de Jó foi o texto que diz, “conhecia-te só de ouvir falar, mas agora os meus olhos te veem.” Me parece interessante como alguns julgam que já tiveram essa experiência porque oraram e sentiram o Espírito em seu coração, ou porque ouviram uma mensagem pregada e foram profundamente tocados. Para eles eu diria que isso é muito bom e maravilhoso. Mas ver o Senhor com os próprios olhos será algo real, literal, verdadeiro, não figurado, não uma comparação ou um sentimento interno, mas uma realidade para aqueles que o amam, e amam a Sua vinda.



Assim, concluímos mais um capítulo das nossas meditações sobre escatologia. Só para lembrar o leitor, quero dizer que eu desejava escrever sobre missões, mas não posso sem antes escrever sobre escatologia. Se você for um leitor atento já começou a perceber como as duas coisas estão intimamente ligadas.