sábado, 7 de janeiro de 2017

Sobre ateus e ladrões de pudim


Imagine uma senhora de meia idade, com seus dois pequenos filhos. Ela faz um pudim delicioso para a sobremesa do jantar. Coloca-o na geladeira e chama seu filho para dar a seguinte ordem: não coma do pudim, até depois do jantar.

As horas vão passando enquanto essa bela senhora prepara o jantar, e o seu filho menor, com muito mais impaciência e gula do que fome, sorrateiramente abre a geladeira e, na pressa para não ser pego, dá uma enorme bocada no pudim.

Passa o jantar, e sua mãe abre a geladeira para servir o pudim. Nesse momento, um dos meninos, o mais velho, ansiosamente aguarda pelo suculento e saboroso pudim, lambendo os beiços e incapaz de ocultar a sua excitação infantil pela guloseima que sua mãe preparou. O outro menino, não tão ansioso assim, mas um pouco receoso, finge que deixou alguma coisa cair embaixo da mesa.

A mãe olha o pudim e, pelo tamanho da mordida, já sabe exatamente quem foi que desobedeceu a ordem. No entanto, como uma boa mãe, ela decide dar a chance para que ele confesse a transgressão.

Ela chama o jovem rapaz e pergunta: “João, você sabe quem comeu o pudim antes do jantar?”

“Foi o Pedro”, o menino responde afoitamente, enquanto seu irmão faz uma cara de total surpresa e revolta pela falsa acusação que acaba de receber.

Este bem que poderia ser um episódio autobiográfico, mas minha mãe teria de me lembrar se é que eu já fiz algo assim. Ou, talvez, meu irmão. Ele com certeza não esqueceria desse fato, como irmãos sempre lembram os pecados uns dos outros.

Contudo, não quero falar de pudim, nem de meninos arteiros. Quero falar de ateus. Pois, o nosso menino João, por mais desonesto que seja, é mais coerente do que eles.

João vê um pudim, e assim que o vê 
sabe que alguém o fez. Por coincidência, ele sabe que foi sua mãe quem fez. Então, sua mãe vê uma mordida no pudim, e sabe que alguém mordeu o pudim, e por coincidência ela sabe exatamente quem foi que mordeu, somente pelo tamanho da bocada. Quando a mãe chama o menino a julgamento, ele sabe que a mordida existe porque alguém mordeu. Então, ao invés de arrumar alguma explicação exótica para a mordida, ele tenta responsabilizar outra pessoa, sem negar o fato de que a mordida é a prova de que alguém mordeu.

Na verdade, o João ilustra bem o que os antigos (e novos) idólatras faziam. Eles olhavam o universo, com toda sua beleza, minuciosidade, proporção, e todas as suas leis, utilidades e possibilidades, e sabiam que tudo isso era a prova inequívoca do Criador. O problema é que não querendo servir ao Criador, eles atribuíam a criação a algum outro ser que não o Deus único e verdadeiro.

Na verdade os ateus fazem o mesmo, em certo sentido, que os propriamente idólatras, mas disso não quero falar agora. Quero falar da impressionante criatividade (e desonestidade) dos nossos amigos ateus quando se trata de falar da origem do universo, da vida e, especialmente, da vida inteligente.

Quando um ateu se depara com um belo quadro pintado, com nuvens, pessoas, árvores, cores, etc., jamais ele imagina que o quadro é fruto de um acidente. Uma explosão causada por uma série de reações químicas não previstas em uma fábrica de tinta local que por uma deliciosa coincidência fez as cores caírem no lugar exato dando a impressão de que aquele amálgama de tinta e pano formava imagens de pessoas e lugares, e até mesmo de que se trata de um quadro pintado por alguém, uma pessoa com pensamentos, planos e propósitos.

Não. Jamais eles diriam uma bobagem dessas. Seria suicídio intelectual. Seria pedir a zombaria do público. Seria como assinar a própria matrícula no manicômio.

E o pudim! Jamais um ateu diria que o pudim é o feliz resultado de uma pura coincidência de fatores quando um terremoto fez os ovos caírem em cima da lata de leite condensado, e, uma vez que o terremoto durou bastante tempo, misturou tudo, e depois os outros ingredientes foram se aproximando e se misturando, então um vulcão próximo explodiu, e o calor cozinhou aquela massa no banho maria por alguns minutos, sem, de alguma forma, torrar tudo. Inclusive, as cascas do ovo e a lata de leite condensado elas... am...? Bem...? Sabe é como dizia aquele cientista famoso...? Como é o nome dele...? Bem, ainda não temos uma explicação científica apropriada para isso, mas é melhor continuarmos com a nossa teoria da explosão cega, e do acidente, ou acidentes, e das coincidências felizes do que sair por aí como um fanático dizendo que foi sua mãe que fez o pudim.

Pois é. Eles jamais diriam algo imbecil assim a respeito de um belo quadro pintado, ou de um pudim, ou de um prédio, ou alguma outra coisa qualquer. Mas quando veem o universo, essa imensidão escura depois do céu, e essa minuciosidade infinita dentro de cada espécie, ou os sistemas da natureza, e de cada ambiente específico, eles contam uma história muito parecida com isso.

Tudo surgiu espontaneamente! Foi uma explosão! Nós não sabemos quem foi que explodiu, ou porque não explodiu antes. Mas, assim como lançar granadas é o método mais recente para construir escolas, o universo todo também é fruto simplesmente de infinitas bombas auto explodidas em diferentes momentos. De uma surgiu o universo, de outra a terra, de outra a vida, e de outra o ateu.

Não faz sentido nenhum dizer isso. Mas eles dizem. Agora voltemos à razão.

Veja o céu! Vá pra praia, faça um passeio de barco, um mergulho, observe a criação. Plante um jardim, ou visite um bosque, sinta o cheiro de uma flor. Corra atrás de uma borboleta. Pendure uma rede em uma árvore e ouça os pássaros. Tente cantar como um deles. Tente vestir-se como um lírio. Dispute uma queda de braço com um gorila. Tente correr com um cavalo para ver quem é mais rápido. Case-se, tenha um filho, ouça ele chorar, e veja o brilho nos olhos do bebê quando sua pequenina boca encontra os mamilos de sua mãe e ele faz aquilo que nunca foi ensinado a fazer. Parece que tudo foi projetado não é? Os seios da mãe foram feitos para a boca do bebê. E ele instintivamente, como se tivesse sido programado para isso, sabe exatamente o que fazer.

Encha um copo de água e beba. Passeie um pouco. No quintal talvez você verá o seu cãozinho se deliciando com a mesma água que você, só que na sua tigela. O boi na fazenda, e todos os animais bebendo da mesma água em todos os lugares. O mesmo H2O que faz a sua vida possível, faz a vida deles possível. Então visite uma fonte e beba a mais deliciosa água saindo da rocha e saiba que ela foi colocada ali, e não foi por você.

Vá para uma horta, e veja como aquela água farta a terra que te dá a comida. Então vá para uma vinha, e veja como nascem as uvas das quais você faz vinho que depois aprecia numa mesa com sua família.

O pasto que você despreza e pisa, não foi feita por você, nem para você, mas para o gado, que come quilos e quilos dele todos os dias, e depois te serve no campo, e na mesa.

O sol, na medida exata para que todos vivam. Nem quente demais, nem frio de mais. Ele e a lua, regulando as marés, as estações. Tudo numa sincronia perfeita que demonstra plano, propósito, sabedoria, inteligência, e desenho.

Claro que a criação é a prova irrefutável do Criador. Ela é a revelação Dele. Da sua divindade, do seu eterno poder, e dos seus atributos, inclusive os invisíveis. Por essa razão a Bíblia Sagrada chama tolo ao que diz que não há Deus. Pois até os cegos conseguem ver uma verdade tão luminosa. O caminho é tão reto, que nem os loucos errarão por ele.

E a mordida no pudim? Como será que o menino João explicaria se fosse ateu? Bem, a mordida no pudim, assim como todas as coisas no universo, simplesmente aconteceu! Ela aconteceu, por uma série de fatores que fizeram com que o pudim mordesse a si mesmo. Assim como o universo criou-se a si mesmo, e a vida surgiu espontaneamente, também o pudim, espontaneamente, se mordeu!