sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Poesia

O romance é algo fugaz. Nem todo dia se faz poemas. E tem vezes que o amor se torna algo difícil de expressar. Eu queria escrever um poema ou uma canção. Faz tempo que nada inspirador, uma idéia nova, um sentimento novo, uma expectativa diferente e boa, conseguem encontrar caminho nos meus poemas. Pelo menos não de acordo com o que eu penso ser inspirador.

Escrevi um monte de poemas que não postei, nem quero postar. São apenas palavras num papel. Sinto que a maioria dos poemas que leio por aí hoje são apenas palavras, letras e sons. Vazios de significado e inspiração. Assim também boa parte da literatura que se lê no vestibular. Eu disse boa parte, não tudo, nem a maioria, apenas boa parte. Por favor me entenda. É que poesia não é algo apenas produzido. Não é só fruto de pensamento. É vontade, desejo, sentimento, emoção, esperança, expectativa, frustração, alegria, decepção e reconciliação, pensamento também. 

Não quero fazer poesia assim.

A poesia é a coroa da música, é o que faz os sons valerem a pena. Por isso que tanta música pop não serve pra nada. Não importa se tem ritmo, se tem rima, se te faz dançar, mas não faz seu coração arder. Não é sóbria. Não tem vontade, só apetite. Não tem alegria, só entretenimento. Não tem dignidade, nem sobriedade, nem esperança. 

A poesia faz o coração ter coragem e firmeza. Ela consolida e solidifica pensamentos e emoções. É por isso que uma história não tem graça por si só. Mas se alguém souber contar, ela se torna uma história significativa. Porque o poeta dá aos fatos cores, sons, desenhos e significados. 

A nossa vida, e as nossas histórias, não são diferentes. A nossa vida é mais bela, e mais bem interpretada, num caderno de poemas do que num jornal. As nossas histórias produzem mais lições, e as lições são melhor aprendidas, quando sabemos contá-las num poema.

Os profetas de antes de muito tempo recebiam mensagens de Deus diretamente em seus ouvidos e corações. Eram palavras de vida, ou de julgamento. Sabedoria divina expressa de que forma? Poética! Eles escreviam lamentos, contos, parábolas, comparações. Eram sentenças, ou pesos, mas escritas em forma de poesia. Determinavam a história de nações inteiras, mas usavam paralelismos, figuras de linguagem, imagens, rimas, salmos, cantos, etc.

Ora, se Deus usou poesia, ele criou poesia. Poesia é uma forma de linguagem que fala além das palavras. Quando lemos uma frase ela diz o que diz. Mas quando lemos um poema, ele diz o que diz, e diz mais ainda.

Restaram poetas? Eu sei que sim. Como queria ser um deles! Não são só os cristãos que produzem arte significativa. Na verdade, a graça de Deus, a mesma que faz o seu sol nascer sobre maus e bons, dá a homens de todo tipo, até aos que não reconhecem a Deus, alguma coisa em seus corações que os faz produzir algo bom, algo bonito, algo significativo.

Nem de longe a arte deles se compara à beleza do que Deus faz, da música de suas ondas, ou das cores de seu arco-íris, ou do canto de seus pássaros, ou das curvas de suas cordilheiras, rios, praias. Ela não tem o ímpeto de suas cachoeiras, nem a majestade de suas águas, nem a força de seu sol, ou a delicadeza de suas estrelas, mas tem beleza nela. É só o que restou depois do pecado, e ainda assim cheio de manchas. Mas, como pode?, ainda é tão bela! O nosso Deus é grande e maravilhoso mesmo. Se o que sobrou já é belo assim, como não será a fonte pura de toda beleza que se encontra Nele?

Eu quero produzir algo belo. Algo que reflita a grandeza desse Deus que fez todas essas coisas. Quero escrever poemas com a alma de quem foi assombrado pela sua glória. Queria que os poetas que amam Jesus tivessem a sensibilidade pra tocar o manto partido pelos soldados e estremecer, para ler metade de uma palavra e já ser aquecido pela sabedoria dele, para refletir sobre nossas histórias, e reconhecer a providencia dele em todas elas, e amá-lo por isso, e escrever poemas pra ele. Para acreditarmos no que Ele ainda tem, e nunca deixará de ter.