sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Dívida

É melhor não abrir tudo. Ficar reservado. Manter um pouco do que sente no escuro. Não porque não seja bom. Mas porque a hora e o momento certo, aquele ponto do tempo que acende a incerteza, faz os menores detalhes importarem, e chama a atenção pras pequenas coisas, aquelas ocultas por um tempo.

Sou devedor, e não queria ser.
Me desonra o fato de dever.
Mas não escapo, nem poderia
Esquecer disso que a ti devia

Devo, mas não é dinheiro,
Nem bens materiais
O que dá tragédia ao enredo
É que devo muito mais

E não posso simplesmente pagar
Porque não é de mim que irei retirar
A quantia, a paga, a soma
Do que devo entregar

Sou devedor, e vou emprestar
De alguém maior que eu pra pagar
E deverei, depois, ainda mais
"Isso é terrível, não se faz!"

Estou desesperado, que posso fazer?
Não me sinto bem, assim, por dever!
Adoraria ter, mas já nasci pelado
E devendo pra quem me quis acordado

Sou devedor, e não posso pagar
A dívida que tenho é amar
Imensa como o imenso mar
Estou por pouco a me afogar

Senhor, podes me emprestar
Desse amor tão grande que tens
Uma parcela pra que eu possa pagar
Essa dívida que excede todos os bens?

Sim, Senhor, porque este amor que é teu
É tão imenso que constrange o meu
A que eu seja totalmente teu
Assim como tu és Deus meu

*Romanos 13.8