segunda-feira, 28 de outubro de 2013

19 Teses Sobre "Seja Você Mesmo"

1- Existe uma distância maior ou menor entre o que sou no que falo e o que sou no que realizo.

2 - Não se trata de falsidade. É simplesmente a distância entre o que digo que sou para mim mesmo, e o que sou na verdade, causada pela própria incapacidade inata à humanidade de avaliar com perfeição qualquer fenômeno, no caso o próprio eu.

3 - Existe uma distância maior ou menor entre o que sou e o que penso ser.

4 - Dizer: "seja você mesmo" é sem sentido. Ninguém pode ser outra pessoa além de si mesmo.

5 - O que as pessoas querem dizer quando afirmam: "seja você mesmo", deve ser algo como: "seja o pior que você possa ser, para ser autêntico". Por exemplo: sinceridade é confundida com demonstração pública de todos os maus hábitos que devemos evitar.

6 - "Ser você mesmo" também pode significar agir em público, diante de desconhecidos, ou recém-conhecidos, ou conhecidos de longa data com quem não temos nenhuma relação de intimidade, ou mesmo conhecidos com quem temos alguma relação mas não profunda o suficiente, da mesma forma como agimos no recôndito mais íntimo da nossa casa.

7 - Neste último caso, "ser você mesmo" significa não ter intimidade, uma vez que o que agrega valor à intimidade é o segredo, o compartilhar de coisas preciosas apenas com quem por meio do tempo, do conhecimento e do relacionamento, garantiu para si a confiança necessária, e o "ser você mesmo" torna públicas todas as coisas secretas, desvaloriza os relacionamentos íntimos, e as pessoas que deles fazem parte.

8 - No primeiro caso (tese 5), o "ser você mesmo" afeta negativamente as relações tanto íntimas quanto públicas, visto que obriga qualquer pessoa que se disponha a entrar nessa relação a sofrer os hábitos ruins de quem decidiu "ser ele mesmo".

9 - O "ser você mesmo", no caso (tese 5), afeta negativamente a capacidade de desenvolvimento do caráter e da personalidade em seus aspectos positivos, pois esse desenvolvimento não abarca apenas a aquisição de bons hábitos, mas igualmente o abandono de hábitos ruins.

10 - Considerando que existe uma distância maior ou menor entre o que somos e o que pensamos ou falamos ser, é impossível "ser nós mesmos" no sentido das teses 5 e 6. Haja vista que para "sermos nós mesmos" precisaríamos ter o absoluto conhecimento do que somos, e a capacidade de projetar isso de forma proposicional, e então prática.

11 - Ainda assim (tese 10), seria sem sentido dizer: "seja você mesmo", pois ninguém seria capaz de ser outra pessoa além da que ela é, sabendo ou não sabendo o que é essa pessoa.

12 - A melhor definição para o que somos não leva em conta apenas os fatores estáticos - ou, melhor dizendo, persistentes - da nossa personalidade, mas também as circunstâncias externas, a resiliência, ou falta dela, e o tempo como fatores de desenvolvimento constante do indivíduo, para bem ou para mal.

13 - A nossa inata incapacidade para avaliar perfeitamente qualquer fenômeno faz com que o melhor caminho seja considerar o que somos de forma programática, estabelecendo um alvo para nos tornarmos como ele.

14 - A partir do momento que o alvo está estabelecido, o segundo passo é considerar a nossa história, para descobrir o que costumávamos ser e o que nos tornamos através do tempo para, com estas considerações preliminares, avaliar como nos tornaremos aquilo a que nos propusemos.

15 - A avaliação histórica do ser e o estabelecimento do alvo a ser perseguido (teses 13 e 14) deve concluir-se com, entre outras coisas, a apresentação ao nosso sentido de quais hábitos adquirimos e deveríamos abandonar, e quais não temos e deveríamos adquirir.

16 - O estabelecimento do alvo a ser perseguido deve levar em consideração a nossa percepção defeituosa da realidade que pode nos conduzir a uma escolha errada na hora de estabelecer o alvo.

17 - A consideração histórica (tese 14), se realizada de forma ampla e apropriada, nos levará à origem do nosso ser, o Criador, e fatalmente nos reconduzirá ao alvo original estabelecido por Ele no início de tudo.

18 - O alvo original nos é mais claramente apresentado na vida de Jesus Cristo do que em qualquer outra revelação a que tenhamos acesso.

19 - A busca pelo "seja você mesmo" nos deve empurrar, não somente pela lógica, mas pela moral e pelo amor, à busca por Jesus Cristo.