quinta-feira, 4 de julho de 2013

Tragédia

Chamo tragédia a toda perda de algo significante para nós mesmos. Assim inicio a reflexão sobre como superar os traumas da vida.

De acordo com os jornais, tragédias são acidentes fatais, ou histórias muito tristes que envolvem a morte, mas não qualquer morte, a morte trágica é cercada de surpresa, frustração e dor. Há, na verdade, a tragédia grega. Um drama que envolve sempre o conflito com forças maiores do que o protagonista e que geralmente termina com a sua derrota. Se chamarmos tragédia apenas o que os jornais chamam de tragédia não seremos sinceros conosco mesmos, pois é verdade que o jornal mostre tragédias, mas todos temos nossas tragédias cotidianas.

Além disso, a tragédia grega, origem da palavra, serve-nos de norte para entender a existência da nossa própria tragédia. Assim como na tragédia grega, o protagonista luta por algo que acredita contra uma força que o suplanta, a nossa tragédia envolve a perca de algo que acreditamos, valorizamos, damos importância, temos apreço, cuidamos, planejamos, esperamos.

Assim como na tragédia grega a derrota do protagonista era bem provável, e, na verdade, bem previsível, mas não era aceita pelo coração do escritor nem do leitor do drama, assim também a nossa tragédia é, em geral, bem possível de ser prevista, ainda que nos pegue surpresos. A nossa surpresa, portanto, não é fruto de imprevisibilidade, mas de imprevisão. Na verdade, olhamos depois que aconteceu e percebemos que era previsível, e, talvez em alguns raros casos, evitável (nesses casos, aumenta ainda mais a nossa frustração pela tragédia a idéia de que se agíssemos assim ou de outra maneira poderíamos ter evitado aquilo que não previmos mas poderíamos ter previsto).

Continua...