terça-feira, 14 de maio de 2013

Perdão - parte 4

Recentemente, em uma aula no seminário, o assunto do perdão foi abordado rapidamente por um professor (Reinaldo) que entende muito bem de línguas bíblicas (grego, hebraico e aramaico). Ele explicou o termo grego para perdoar de forma muito elementar e, ao mesmo tempo, esclarecedora.

Segundo ele, perdoar significa também soltar. Libertar alguém que prendemos em nosso coração. É uma extensão de significado, visto que as pessoas em tempos antigos se tornavam escravas por razão de dívidas. Assim soltá-las implicava em perdoar-lhes a dívida, e vice-versa, assim a palavra era a mesma.

O que isso nos revela sobre o perdão em nossos tempos, nos quais as pessoas em geral não pagam com a vida por dívidas? Um escritor chamado Augusto Cury nos dá uma dica. Ele diz que quem não perdoa vai dormir com o algoz.

Creio que esta sim é uma explicação interessante. Justamente alguém que nos causou terrível dano dorme conosco, figuradamente, todas as noites, e anda conosco todos os dias, até que o soltemos, figuradamente. Isto é perdão. E falamos de situações da emoção e da alma (gr. psiquê). De forma emocional, e até intelectual, carregamos o fardo da presença opressora conosco até que perdoemos realmente.

Veja que cada um de nós, quando ferido, pode querer se livrar de todo resquício de história do algoz em nossa própria vida. E, geralmente, fazemos isto com raiva dentro de nós. Mas o conceito bíblico de perdão mostra que não é possível de fato se livrar de alguém que guardamos amargamente dentro de nós. Liberar perdão nos liberta da presença opressora, emocionalmente falando.

Obviamente o perdão só é eficaz para o algoz se houver arrependimento (Professor Antonio Reis). Mas para a vítima, é eficaz desde o momento em que ele o libera.