segunda-feira, 10 de setembro de 2012

A morte

* Este poema é simples fruto de uma circunstância. Não é uma reflexão teológica, e não deve ser visto dessa maneira. É apenas uma contemplação subjetiva, com traços do que creio, e muitas coisas que não sei, não me defini, e, talvez, não descubra antes de experimentar.

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A morte é dura, fria, cruel.
A morte é o fim dos sonhos e dos risos.
Ela é amarga, ruim como beber fel.
Ela traz solidão levando para longe os amigos.

Ah, como a morte é terrível.
Se bem que às vezes pode ser aprazível.
Quando a vida é dura, fria e cruel.
Quando a vida se torna amarga, ruim como beber fel.

A morte interrompe o sonho e o pesadelo.
Ela abrange o riso e o desespero.
Como o amor, ela também lança fora o medo.
Sim, porque consome como o fogo mas é fria como o gelo.

Não creio como dizem os pessimistas.
Que a morte se inicie quando a vida se tem na vista.
A morte é uma energia fria.
Ela cresce quando a vida se esquiva.

Qual a diferença entre o vivo e o morto?
Pois a morte também traz seus benefícios.
Será que é a vida ser quente e a morte ser gelada?
Ou será ser a morte patente e a vida pela vida ocultada?

A reação é a resposta que eu queria
Pois a vida às vezes é fria, mas reage se ferida.
E a morte, mesmo que seja quente, é abatida
Pois não reage como reage a vida.

A morte não fala, não pergunta.
A morte não separa e não ajunta.
A morte não, a morte não.
A vida então, por que não?

A morte desiste a vida prossegue.
A vida segue constante a estrada.
A morte tropeça na estrada.
Ela é a vida cansada de não encontrar uma parada.

A vida e a morte são uma opção.
A vida e a morte são uma obrigação.
A morte e a vida são ódio e perdão.
A morte é cansaço, a vida é reação.

E nesta dialética fatal,
Neste revezamento entre o bem e o mal,
Neste dia de sol, que termina com um temporal,
Neste amor de dor e reação viral

Oh, nesta saudade da que era linda,
Nesta saudade da que não veio ainda,
A amável vida em mim reage.
A mim mesmo digo: se encoraje!

E o pano que cobre a veste e a trança
Sim, o mistério da morte, e da vida que depois dela dança
São desvendados por um vento manso e calmo
Da fé sem medida que me faz ver além de um pequeno palmo

Eu não vi! Isso me angustia.
Contudo eu cri! Isso me alivia.
Porque se com Ele eu também morri,
É certo que por Ele eu também vivi.

Se tenho o penhor daquela herança,
Que o desespero do meu coração amansa,
Aquele Espírito da verdade - que consola -
Vem ao meu espirito na mesma hora.

Pois, se a morte me assusta de dia,
De noite sua voz me guia.
E se minha vida é casa de areia na chuva,
Tua casa para mim é como mão na luva.

Se a morte desta vida é a placa que me guia.
Se é o preço que pago pra viver a tua vida.
Então não tenho que ter medo de morrer,
Apenas medo de tua vida nunca viver.