sexta-feira, 18 de maio de 2012

O ardente

Pela estrada afora eu sigo sem medo
Sozinho, às vezes, eu penso que vejo
Da casa de vidro em que vivo
- Às vezes é fumê e não é nítido -

Nos cômodos mais escondidos é quase invisível
O Eu que se esconde ali dentro é imprevisível
A música que embala esse dia é tocada na tonalidade mais aguda
A casa de vidro se parte em pedaços da medida mais miúda

Grades, correntes e ferros me prendem
Os guerreiros dentro em mim não se rendem
Um lado de mim sempre vence
Contudo, nenhum lado ao outro pertence

Já construí casas de palha, madeira, feno e vidro
Já vivi momentos de farra, bobeira, cortejo e sorriso
Mas a casa que eu investi tanto
Não pôde resistir à hora do encanto

Nem sempre o encanto é bom para o menino
Às vezes o encanto é jogo de luz e sombra que engana o pequenino
Se encantar não vale a pena se isso só dura um instante
Que logo depois se desvanece em um doente, ardente, vil e decadente

E o ardente? - Que nem sempre é poluente -
Em ocasiões outras polui a mente
Que o amor - que é força latente -
Em quem aprendeu a dominar seu Eu chamado ventre

É esquecido em prol do vento do encanto
Que trai a alma e os planos do que nesta estrada vagando
Não fez questão de observar o tempo e a época
Que apaga a memória e a consciência do que peca

Ah! Mas a estrada é longa e lá na frente,
Depois que o encanto passar e libertar minha mente,
Eu vou viver outra vez a chance de amar o ardente
Mas não vil, nem decadente

*Recomendo ouvir uma canção no link abaixo:
Carlinhos Veiga - Estrada